
Quando era um tiquinho de gente, as pessoas diziam que eu era tão chata que não havia meios de me dizer NÃO, quando queria algo!! Ora, essa!! A brincadeira de escola ,com as amigas, no papel da professora sempre foi a preferida, e eles talvez não tenham percebido que ali estava o elemento básico do convencimento: o gosto de falar, aprender, ensinar e convencer o público. E a coisa foi ganhando forma à medida que a vida “mostrou as suas asinhas”. De fato, a crise, o desespero, a necessidade, a paixão e tudo que está em ebulição, nos torna mais criativos. Na infância (adoro a infância) somos intitulados de insistentes e chatos porque não conhecemos os argumentos, as palavras certas para convencer alguém de algo, mas quando a curiosidade entra em cena, as portas se abrem e todos os veículos de conhecimento são aliados. Os astros sempre dão a sua contribuição e SER MULHER também, aqui fala uma mulher geminiana com ascendente em gêmeos, e todos os almanaques dizem que este é o signo da comunicação, então está tudo a favor. Minha brincadeira predileta agora é trocar idéias, ouvir o que as pessoas pensam, sempre viajo quando ouço alguém falar pela primeira vez, seja quem for. Adoro os idiomas, sotaques, o som das vozes, a pronúncia das palavras, e pelo conjunto descobrir a origem, o jeito, os gostos e o modo de vida de quem fala. Vale ressaltar que a psicologia está fora disso, o barato da coisa é a linguagem mesmo. Não só eu como muitas pessoas já escreveram antes o que iam dizer em situações reais da vida e ensaiávamos diante do espelho horas e horas para que tudo desse certo na hora H. A vontade de dizer a coisa certa na hora certa é tão importante quanto amar e ser correspondido. Se ama falando, se mata falando, se canta falando, se encanta falando, se olha falando. Lembro-me bem de um trecho lindo de um poema, de um autor desconhecido que diz assim: “Case-se com alguém que goste de conversar porque quando o tempo for seu inimigo e as linhas de expressão dominarem sua face, e se a vitalidade não for como você gostaria, tudo que restará será bons momentos de conversa.” E se casou é porque um dos dois é um exímio convincente!! Nos dias de hoje, convencer alguém a dividir a vida com a gente é arte de mestre porque nem o amor está conseguindo.
